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Distância entre TCs e medidor: impactos na medição

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Em instalações que utilizam transformadores de corrente (TCs), a distância entre o TC e a entrada de corrente do medidor pode afetar diretamente a precisão da medição.

Isso ocorre porque os cabos instalados no circuito secundário possuem resistência elétrica. Essa resistência passa a fazer parte da carga conectada ao TC e pode fazer com que a carga total ultrapasse o valor para o qual o transformador foi especificado.

Recomendação para instalação

Para aplicações Mercato com transformadores de corrente de secundário 5 A, recomenda-se que a distância entre o TC e a entrada de corrente do medidor não ultrapasse 2 metros, salvo quando a aplicação tiver sido previamente avaliada.

1. Por que a distância afeta o circuito do TC?

O transformador de corrente reproduz no seu secundário uma corrente proporcional à corrente que circula no primário.

Em um TC de 50/5 A, por exemplo, a relação de transformação é 10:1:

  • 50 A no primário correspondem idealmente a 5 A no secundário;
  • 40 A no primário correspondem idealmente a 4 A no secundário;
  • 20 A no primário correspondem idealmente a 2 A no secundário.

Para que essa corrente circule, o TC precisa vencer toda a impedância presente no circuito secundário. Essa carga não é formada apenas pelo medidor.

  • resistência dos cabos entre o TC e o medidor;
  • impedância da entrada de corrente do medidor;
  • bornes e conectores;
  • eventuais emendas e pontos de conexão.

Quanto maior o comprimento dos cabos, maior será sua resistência e, consequentemente, maior será a carga imposta ao secundário do TC.

2. O que significa a carga nominal em VA?

A capacidade de carga do secundário de um TC é normalmente especificada em VA (volt-ampère), também chamada de carga ou burden.

Para uma carga predominantemente resistiva, a parcela provocada pelos cabos pode ser estimada por:

VA = I² × R

Onde I é a corrente no secundário do TC e R é a resistência do circuito.

Como a carga cresce com o quadrado da corrente, circuitos de TC com secundário de 5 A são particularmente sensíveis à resistência dos cabos.

3. Exemplo prático — TC 50/5 A de 1,5 VA

Para demonstrar o efeito, considere como exemplo um transformador de corrente JNG M.E.S 30 — 50/5 A, especificado com:

  • corrente primária nominal: 50 A;
  • corrente secundária nominal: 5 A;
  • carga nominal: 1,5 VA;
  • classe de exatidão informada pelo fabricante: 1%.

Nos cálculos abaixo será considerado cabo de cobre de 1,5 mm², com resistividade aproximada de 0,0175 Ω·mm²/m a 20 °C.

A distância elétrica é o dobro da distância física

Se o TC estiver a 10 metros do medidor, existem aproximadamente 10 metros no condutor de ida e 10 metros no condutor de retorno. Portanto, o circuito secundário possui aproximadamente 20 metros de condutor.

4. Comparação entre 2 m, 2,5 m e 10 m

Distância TC → medidorComprimento total dos condutoresResistência aproximadaCarga dos cabos em 5 ACarga nominal do TC utilizada
2 m4 m≈ 0,047 Ω≈ 1,17 VA≈ 78%
2,5 m5 m≈ 0,058 Ω≈ 1,46 VA≈ 97%
10 m20 m≈ 0,233 Ω≈ 5,83 VA≈ 389%

No cenário de 10 metros, somente os cabos representam aproximadamente 5,83 VA na corrente secundária nominal de 5 A.

Esse valor é quase quatro vezes superior à carga nominal de 1,5 VA do TC utilizado neste exemplo, antes mesmo de considerar a entrada do medidor, bornes e demais conexões.

A carga nominal não é exclusiva dos cabos

A entrada de corrente do medidor, bornes, conectores e demais elementos presentes no circuito também fazem parte da carga total aplicada ao secundário do TC.

5. O que isso representa na leitura do medidor?

Enquanto a carga conectada permanece dentro das condições especificadas para o TC, ele consegue reproduzir a corrente primária dentro da precisão prevista pelo fabricante.

Quando a carga aumenta, o TC precisa desenvolver uma tensão secundária maior para manter a corrente circulando pelo circuito. Isso aumenta a exigência sobre o núcleo magnético e pode aumentar os erros de relação e de fase.

Entre os possíveis efeitos estão:

  • erro na relação entre corrente primária e secundária;
  • corrente secundária diferente do valor esperado;
  • aumento do erro angular;
  • distorção da forma de onda;
  • saturação antecipada do núcleo em condições mais severas.

Como consequência, o medidor pode continuar apresentando uma leitura aparentemente coerente, mas a precisão especificada para o TC deixa de estar garantida.

6. Exemplo com 40 A no primário

Em um TC de 50/5 A, uma corrente primária de 40 A deveria resultar idealmente em:

40 A ÷ 10 = 4 A no secundário

Com 10 metros de distância e cabo de 1,5 mm², esses 4 A precisam circular por aproximadamente 0,233 Ω de resistência apenas nos cabos.

A queda de tensão aproximada nos cabos será:

4 A × 0,233 Ω ≈ 0,93 V

Nessa condição de corrente, os cabos representam aproximadamente 3,73 VA de carga.

Não é possível determinar somente com esses dados se o medidor indicará, por exemplo, 39 A, 37 A ou outro valor. Para determinar o erro real seriam necessários dados adicionais do transformador, como curva de excitação, impedância interna e comportamento dos erros de relação e de fase em diferentes cargas.

Uma leitura aparentemente correta não comprova a precisão

Ultrapassar a carga nominal não significa necessariamente que a medição desaparecerá ou ficará obviamente incorreta. O equipamento pode continuar apresentando valores próximos do esperado, porém fora das condições para as quais a precisão do TC foi especificada.

7. O impacto não ocorre somente na corrente

O medidor utiliza simultaneamente as referências de tensão e corrente para calcular diversas grandezas elétricas. Por isso, erros de amplitude ou de fase introduzidos pelo TC podem afetar:

  • corrente;
  • potência ativa;
  • potência reativa;
  • potência aparente;
  • fator de potência;
  • demanda;
  • energia acumulada.

Esse cuidado é especialmente importante em aplicações de medição, acompanhamento de consumo e rateio de energia.

8. A distância também é crítica para as referências de tensão?

Não na mesma proporção. As entradas de referência de tensão dos medidores apresentam impedância elevada e, por isso, demandam uma corrente muito menor que a existente no circuito secundário de um TC de 5 A.

Como a corrente é pequena, a queda de tensão provocada pela resistência dos cabos normalmente também é muito pequena. Assim, uma distância de 10 metros nas referências de tensão tende a ser muito menos crítica para a precisão do que a mesma distância aplicada ao secundário de um TC de 5 A.

Mesmo assim, devem ser observados os seguintes cuidados:

  • utilizar cabos e isolação compatíveis com a tensão da instalação;
  • proteger os circuitos de referência de tensão conforme o projeto elétrico;
  • evitar percursos próximos a fontes intensas de interferência eletromagnética;
  • evitar a passagem junto às saídas de inversores de frequência;
  • garantir a correta correspondência entre cada referência de tensão e o respectivo TC;
  • seguir as especificações do medidor e do projeto elétrico.

9. Aumentar a bitola dos cabos do TC resolve?

Uma seção maior reduz a resistência do condutor e, consequentemente, reduz a carga adicional aplicada ao secundário do transformador de corrente.

Entretanto, aumentar a bitola não significa que a distância recomendada possa ser automaticamente desconsiderada.

Quando a instalação exigir uma distância superior à recomendada, devem ser avaliados conjuntamente:

  • relação e carga nominal do TC;
  • corrente secundária;
  • seção e comprimento dos cabos;
  • carga da entrada de corrente do medidor;
  • classe de exatidão necessária;
  • temperatura e condições da instalação;
  • especificações do fabricante do TC.

10. Boas práticas de instalação

  • Instale o medidor o mais próximo possível dos transformadores de corrente.
  • Mantenha os circuitos secundários dos TCs com o menor comprimento possível.
  • Utilize cabos com seção adequada para a aplicação.
  • Evite emendas desnecessárias no circuito secundário.
  • Garanta o correto aperto dos bornes e conexões.
  • Respeite a polaridade e a correspondência das fases.
  • Considere a carga total do circuito, e não apenas a carga da entrada do medidor.
  • Consulte o Suporte Técnico Mercato quando a instalação exigir condições diferentes das recomendadas.
Segurança — nunca deixe o secundário do TC aberto

Nunca deixe o secundário de um transformador de corrente aberto enquanto houver corrente circulando no primário. Nessas condições podem surgir tensões elevadas nos terminais secundários, oferecendo risco às pessoas e aos equipamentos.

Conclusão

Em transformadores de corrente com secundário de 5 A, a distância entre o TC e o medidor influencia diretamente a carga aplicada ao secundário.

No exemplo apresentado, um TC de 50/5 A e 1,5 VA conectado por cabo de 1,5 mm² a 10 metros do medidor apresenta aproximadamente 5,83 VA somente de carga provocada pelos cabos na corrente nominal de 5 A, valor muito superior à carga nominal do transformador utilizado no exemplo.

Nessas condições, mesmo que o medidor continue apresentando leituras, não é possível garantir que o TC permaneça dentro da precisão especificada.

Por esse motivo, deve-se respeitar a distância recomendada para os circuitos de corrente e solicitar uma avaliação sempre que a instalação exigir percursos maiores.

SUPORTE

Ainda precisa de ajuda?

Caso sua aplicação necessite instalar o medidor a uma distância superior à recomendada dos transformadores de corrente, entre em contato com o Suporte Técnico Mercato. Para agilizar a avaliação, informe o modelo e a relação do TC, carga nominal em VA, distância até o medidor, bitola dos cabos e modelo do medidor.

 Falar com o suporte no WhatsApp → 

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