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Exatidão de TCs em baixas correntes

Boletins Técnicos Geral

Em sistemas de medição que utilizam transformadores de corrente (TCs) externos, é comum surgir a dúvida sobre a precisão da medição quando a corrente da instalação fica muito abaixo da corrente nominal do TC.

Para TCs convencionais destinados à medição, as normas estabelecem limites de erro em determinados percentuais da corrente nominal. Para as classes convencionais 0,1, 0,2, 0,5 e 1, um dos pontos de referência utilizados é 5% da corrente primária nominal.

O limite de 5% pertence ao TC, e não ao medidor

Esse percentual está relacionado à faixa para a qual a classe de exatidão do transformador de corrente possui limites normativos definidos. O medidor possui suas próprias especificações de exatidão e faixa de medição.

1. O que significa a relação de um TC?

Um TC identificado como 100/5 A foi projetado para fornecer aproximadamente 5 A no secundário quando houver 100 A no primário.

A relação nominal desse transformador é 20:1. Portanto, idealmente:

  • 100 A no primário → 5 A no secundário;
  • 50 A no primário → 2,5 A no secundário;
  • 20 A no primário → 1 A no secundário;
  • 5 A no primário → 0,25 A no secundário.

Na prática, entretanto, um transformador de corrente não é um dispositivo ideal. Suas características construtivas e magnéticas introduzem pequenos erros de relação e de fase.

2. O que significa a classe de exatidão?

A classe de exatidão estabelece os limites de erro que o TC deve atender em determinadas condições de corrente e carga no secundário.

Entre as classes utilizadas em TCs destinados à medição estão:

  • classe 1;
  • classe 0,5;
  • classe 0,2;
  • classe 0,5S;
  • classe 0,2S.
A classe não representa o mesmo erro em toda a faixa

Um TC classe 0,5, por exemplo, não significa que o erro máximo será necessariamente ±0,5% em qualquer valor de corrente. Os limites permitidos variam conforme o percentual da corrente nominal.

3. Como o erro varia com a corrente?

Para TCs de medição das classes convencionais 0,1 a 1, a IEC 61869-2 estabelece limites de erro em 5%, 20%, 100% e 120% da corrente nominal.

A tabela abaixo apresenta os limites de erro de relação para algumas das classes mais utilizadas:

Classe5% de In20% de In100% de In120% de In
0,1±0,4%±0,2%±0,1%±0,1%
0,2±0,75%±0,35%±0,2%±0,2%
0,5±1,5%±0,75%±0,5%±0,5%
1±3,0%±1,5%±1,0%±1,0%

Isso mostra que a própria norma admite uma tolerância maior para o TC quando ele opera com uma pequena parcela de sua corrente nominal.

4. O que acontece abaixo de 5% da corrente nominal?

Para as classes convencionais 0,1, 0,2, 0,5 e 1, os limites normativos apresentados anteriormente começam em 5% da corrente nominal.

Isso não significa que o TC deixe de funcionar, deixe de fornecer sinal ou passe imediatamente a apresentar um grande erro abaixo desse valor.

Significa que, abaixo dessa faixa, a classe de exatidão declarada, por si só, deixa de estabelecer qual é o erro máximo garantido. Para conhecer o comportamento nessa região, é necessário consultar dados adicionais do fabricante ou realizar ensaios específicos no TC.

5% não é a corrente mínima de leitura

O TC pode continuar fornecendo sinal abaixo de 5% de In e o medidor pode continuar apresentando uma leitura. O ponto de 5% indica, para as classes convencionais citadas, o menor ponto de corrente para o qual existem limites normativos definidos para a classe de exatidão.

5. Por que o erro tende a aumentar em baixas correntes?

Para reproduzir a corrente do primário no secundário, o transformador precisa estabelecer fluxo magnético no núcleo. Parte da corrente está associada à excitação do núcleo e não é reproduzida de forma ideal no secundário.

Quando a corrente primária está próxima da faixa normal de operação, essa parcela representa uma fração relativamente pequena do valor total.

Em correntes muito baixas, os efeitos relacionados à magnetização do núcleo tornam-se proporcionalmente mais relevantes. Além disso, o material magnético trabalha em uma região diferente de sua curva de magnetização.

Como consequência, podem aumentar principalmente:

  • erro de relação — diferença entre a relação nominal e a relação efetivamente obtida;
  • erro de fase — deslocamento angular entre a corrente primária e a corrente secundária.

Em sistemas de medição de energia, o erro de fase também é relevante porque o cálculo de potência depende da relação angular entre as referências de tensão e corrente.

6. Exemplo prático — TC 500/5 A

Considere uma instalação utilizando um TC 500/5 A.

Corrente no primárioPercentual de InCorrente secundária idealSituação
500 A100%5 APonto nominal
100 A20%1 AFaixa especificada
50 A10%0,5 AAcima do ponto mínimo normativo
25 A5%0,25 AMenor ponto de exatidão especificado para classes convencionais
10 A2%0,10 AAbaixo da faixa normativa convencional
5 A1%0,05 AAbaixo da faixa normativa convencional

Se essa instalação normalmente operar entre 5 A e 20 A, o TC permanecerá entre aproximadamente 1% e 4% de sua corrente nominal durante grande parte do tempo.

O medidor pode possuir capacidade para detectar e medir o sinal secundário correspondente. Entretanto, para um TC convencional, a classe de exatidão declarada não informa, por si só, qual será o erro máximo nessa região.

TC superdimensionado

Quando a corrente real da instalação permanece muito abaixo da corrente nominal do TC, o transformador pode operar continuamente fora da região mais adequada para uma medição de maior exatidão.

7. Por que isso não é uma limitação do medidor?

Quando são utilizados TCs externos, o sistema de medição possui elementos distintos:

Rede elétrica → Transformador de corrente → Medidor

O TC é responsável por transformar a corrente primária em uma corrente secundária proporcional. O medidor recebe esse sinal e realiza a medição conforme suas próprias características de entrada, resolução e classe de exatidão.

Se o TC introduzir um erro de relação ou de fase, o medidor receberá um sinal que já contém esse desvio. Um medidor de elevada exatidão não corrige automaticamente erros originados no TC.

Da mesma forma, o TC não elimina os erros próprios do medidor.

A exatidão final pertence ao conjunto

Em uma instalação com TCs externos, devem ser consideradas a exatidão do TC, a exatidão do medidor e as condições reais de instalação.

8. Exemplos do ponto de 5% para TCs de 5 A

Para qualquer TC com secundário nominal de 5 A, 5% da corrente nominal primária corresponde idealmente a 0,25 A no secundário.

Relação do TC5% da corrente primária nominalCorrente secundária ideal
50/5 A2,5 A0,25 A
100/5 A5 A0,25 A
150/5 A7,5 A0,25 A
200/5 A10 A0,25 A
300/5 A15 A0,25 A
500/5 A25 A0,25 A
800/5 A40 A0,25 A
1000/5 A50 A0,25 A

9. E quando é necessário medir correntes menores?

Para aplicações que precisam manter requisitos definidos de exatidão em correntes ainda menores, existem classes especiais, como 0,5S e 0,2S.

Nessas classes, a IEC 61869-2 estabelece limites de erro também em 1% da corrente nominal.

Classe1% de In5% de In20% de In100% de In120% de In
0,2S±0,75%±0,35%±0,2%±0,2%±0,2%
0,5S±1,5%±0,75%±0,5%±0,5%±0,5%

Por isso, as classes S podem ser mais adequadas quando a aplicação apresenta grande variação de carga e necessita de requisitos de exatidão especificados em níveis menores de corrente.

10. Como dimensionar corretamente a relação do TC?

Um erro comum é selecionar o transformador considerando apenas uma corrente máxima eventual e escolher uma relação muito superior à corrente normalmente encontrada na instalação.

Ao selecionar um TC, avalie conjuntamente:

  • corrente máxima prevista para o circuito;
  • corrente normalmente encontrada durante a operação;
  • menor corrente relevante para a medição;
  • classe de exatidão necessária;
  • carga nominal do TC em VA;
  • carga total existente no circuito secundário;
  • comprimento e seção dos cabos entre TC e medidor;
  • condições e recomendações especificadas pelo fabricante.
Não selecione simplesmente o menor TC possível

A relação deve ser compatível com toda a faixa prevista de corrente da instalação. O objetivo é evitar tanto o superdimensionamento excessivo quanto a operação acima das condições permitidas para o transformador.

11. A instalação também influencia a exatidão?

Sim. Além da relação e da classe do TC, a carga conectada ao secundário também deve permanecer dentro das condições para as quais o transformador foi especificado.

Essa carga pode incluir:

  • impedância da entrada de corrente do medidor;
  • resistência dos cabos;
  • bornes e conectores;
  • chaves de aferição;
  • emendas e demais elementos presentes no circuito.

Em TCs com secundário de 5 A, percursos longos ou cabos com seção inadequada podem adicionar uma carga significativa ao secundário e comprometer as condições necessárias para manter a exatidão especificada.

Segurança — nunca deixe o secundário do TC aberto

Nunca abra o circuito secundário de um transformador de corrente enquanto houver corrente circulando no primário. Nessas condições podem surgir tensões elevadas nos terminais secundários, oferecendo risco às pessoas e aos equipamentos.

12. Resumo prático

  • Os 5% de In estão relacionados à especificação de exatidão dos TCs convencionais, e não a uma limitação específica do medidor.
  • Para as classes 0,1, 0,2, 0,5 e 1, a IEC 61869-2 define limites de erro a partir de 5% da corrente nominal.
  • Abaixo de 5%, o TC não necessariamente deixa de medir, mas a classe declarada não estabelece, por si só, qual será o erro máximo.
  • Em TCs de secundário nominal 5 A, 5% de In corresponde idealmente a 0,25 A no secundário.
  • Classes 0,2S e 0,5S possuem requisitos de exatidão definidos também em 1% da corrente nominal.
  • Um TC muito superdimensionado pode permanecer grande parte do tempo operando em uma região de baixa corrente.
  • A exatidão final do sistema depende do TC, do medidor e das condições de instalação.

Referência técnica

Os limites de erro apresentados neste boletim têm como referência a IEC 61869-2 — Instrument transformers — Part 2: Additional requirements for current transformers, aplicável aos requisitos adicionais para transformadores de corrente.

Para a seleção definitiva do TC, devem ser verificadas também as especificações e condições de utilização fornecidas pelo fabricante do transformador.

Conclusão

A utilização de um transformador de corrente com relação muito superior à corrente real da instalação pode fazer com que o TC trabalhe por longos períodos em uma região na qual sua classe convencional de exatidão não possui limites definidos.

Essa condição é uma característica do transformador de corrente e não deve ser interpretada como uma limitação específica do medidor conectado ao seu secundário.

Para obter uma medição adequada, a relação do TC deve ser selecionada considerando não apenas a corrente máxima, mas também a faixa normal de operação, a menor corrente relevante para a aplicação, a classe de exatidão necessária e as condições do circuito secundário.

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